Ir para diante!
Hoje, hoje é o tempo.
Hoje é o ano.
Hoje é a noite do dia.
Hoje é a noite do dia em que resgatámos da terra e agora atiramos ao vento as palavras d’ El Rei D. Carlos sopradas ao mar: “Ir para diante”!
Sim, Senhor, cumpriremos o nosso dever cumprindo o vosso comando: – e iremos para diante!
Olhai Majestade o Vosso e nosso estandarte que de novo flutua no ar, assinalando com as suas cores sem mancha de sangue o advento do tempo novo!
Olhai Majestade, e convosco todos os Reis vossos antepassados e nossos antigos soberanos, e convosco todos os vossos descendentes e nossos futuros Reis, olhai todos Senhores, o Vosso povo aqui presente!
Olhai Senhores o Vosso povo de novo desperto, proclamando o tempo que vem.
Olhai de perto Senhores para os Vossos jovens – para estes jovens que desafiam o passado porque se sabem senhores do futuro.
Hoje começa o futuro.
Hoje, hoje é o tempo.
O tempo em que, outra vez, começamos a restaurar o ideal real feito real ideal.
Hoje é o ano.
Hoje é a noite do dia – do dia que se apresentou em madrugada de nevoeiro e agora se revela como noite iluminada de vésperas.
Hoje, hoje é a hora da hora!
É a hora!
Vamos para diante!
É a hora!
A Vossa hora – a nossa hora!
A hora de um princípio sem fim.
É a hora!
Vamos para diante!
E que viva o Rei!
E que viva Portugal!
* Alocução aos monárquicos do (então) presidente da Causa Real, Dr. Paulo Teixeira Pinto, proferido da varanda da Sede no Largo de Camões, por ocasião do hastear da bandeira portuguesa da monarquia ontem 5 de Outubro de madrugada.
Fonte: Blogue da Real Associação de Lisboa
Nota pessoal: Acho que estamos mesmo a ir para diante e com uma força bastante acentuada! Os Monárquicos Portugueses estão cada vez mais, e em maior número, convencidos de que chegou a HORA DE AGIR! VENCEREMOS! PORTUGAL VENCERÁ! VIVA O REI! VIVA PORTUGAL!
Recordar a Mensagem de S.A.R. Dom Duarte de Bragança de 1 de Dezembro de 2009
Portugal atravessa uma grave crise económica com reflexos políticos e sociais preocupantes. A crise financeira e económica internacional não constitui justificação suficiente para o estado em que se encontra o País: torna-se evidente que, quando esta se desvanecer, a crise estrutural interna permanecerá.
O País está doente e maltratado. Adivinham-se tempos difíceis: as instituições do Estado estão fragilizadas; o desemprego aumenta e a pobreza alastra; o sistema educativo tem sido contestado por alunos e professores ; a insegurança, a criminalidade organizada – violenta e económica – e a corrupção, multiplicam-se; o poder judicial está ameaçado por falta de meios materiais e por legislação absolutamente desajustada das realidades. Nunca é demais relembrar que, onde não há Justiça, não há Democracia.
São muitas as vozes autorizadas e insuspeitas – como as da Cáritas e da AMI – que têm vindo a alertar para a vergonha da pobreza estrutural que existe no nosso País – acima dos 40%. De facto, se não se agir agora, as gerações futuras não nos perdoarão!
É chegado o momento de olharmos para o nosso Portugal tão desaproveitado nos seus recursos materiais e sobretudo na capacidade das nossas gentes, particularmente no interior onde me desloquei em
numerosas visitas a convite das Câmaras Municipais, tendo compartilhado as alegrias e preocupações de populações tantas vezes esquecidas.
Saibamos apoiar as organizações de voluntários que generosamente trabalham para resolver os problemas, desde as mais antigas, como as Santas Casas da Misericórdia, até às mais recente, leigas ou religiosas. Torna-se imperioso que o Estado colabore melhor com elas em vez de desperdiçar recursos e prejudicar o que temos e fazemos de bem. Temos de nos lembrar que tudo o que o Estado gasta é pago por nós ou será pago pelos nossos filhos…
Saibamos defender o equilíbrio do meio ambiente e da nossa paisagem humanizada, temas em que, desde sempre, me tenho empenhado e que necessitam do envolvimento de todos.
Saibamos lutar pela promoção da Lusofonia e solidariedade entre os países membros da CPLP, como uma causa de importância decisiva do nosso futuro comum. Quero saudar o Brasil, terra da minha Mãe, onde a acção determinada do Presidente Lula da Silva tem possibilitado o estreitar das relações especiais que sempre existiram com Portugal.
Com a União Europeia temos um válido projecto político e económico comum, mas falta-lhe uma “ alma “, porque, infelizmente, quem decidiu recusou-se a reconhecer a matriz cristã da nossa cultura…
Mas é na Comunidade Lusófona que encontramos “a nossa família”, e os laços de família são mais fortes do que os interesses económicos, são de natureza afectiva. Mas nunca esqueçamos que, se não forem devidamente cuidados, o mais certo é desaparecerem…
Saibamos preservar instituições fundamentais da Sociedade como a Família. Esta, como outras, está sujeita a um desgaste sem precedentes visando a sua dissolução.
Ela é, na verdade, a base da construção de uma sociedade fortalecida no espírito de entreajuda, respeito pela vida humana e formação responsável, valores que, só no seu seio, são susceptíveis de ser naturalmente assimilados. Só por esta via, sairá reforçada a liberdade de consciência que permitirá, a cada um e a todos, resistir, preservando-a das crescentes tentativas abusivas de ingerência externa que pretendem impor novos conceitos de “família”.
É na Família, e não pelo Estado, que já hoje – e como o futuro próximo se encarregará de demonstrar – se desenvolve incondicionalmente o verdadeiro espírito de solidariedade para com os seus membros mais necessitados, seja na doença ou na pobreza.
É na Família que se constroem os alicerces de educação, respeito e disciplina, tão necessários à organização social, relativamente aos quais o Estado só consegue desenvolver acções complementares e pontuais.
Tudo isto porque a vida social autêntica e equilibrada tem início na consciência individual que cada um vai formando no seu próprio ambiente familiar.
Chegou a hora de acordar as consciências e reunir vontades para levantar Portugal, combatendo a mentira, o desânimo, a resignação e o desinteresse.
O futuro de Portugal tem de ser encarado com esperança assente num projecto para o País tal como fez, há seis séculos e no auge de outra crise, o nosso maior herói, D. Nuno Álvares Pereira.
O Condestável Nun’ Alvares colocou convicta e corajosamente, num invulgar espírito de serviço, todo o seu talento, competência e generosidade na defesa da independência e da identidade nacional, cujo projecto foi transformado num ideal grandioso de Pátria e de Missão o qual, pouco tempo depois, permitiu abrir “ novos mundos ao Mundo”.
O seu exemplo de abnegação, coragem na luta pelas suas justas convicções e amor por Portugal, deverá ser fonte de inspiração para todos os Portugueses, como felizmente parecem comprovar as inúmeras manifestações civis e militares que, espontaneamente, têm surgido, de Norte a Sul, no País.
Vem a propósito recordar a importância que o Condestável atribuía à liderança, disciplina e motivação nas Forças Armadas, e particularmente na formação cívica de jovens militares, numa altura em que o Colégio
Militar, a mais antiga Instituição Militar de Ensino da Europa é vítima de uma campanha de fins dissimulados. É bom realçar que, há mais de dois séculos, esta honrada e sólida Instituição tem formado gerações de jovens que vieram a prestar relevantes serviços à Pátria, quantas vezes com o preço da própria vida.
Numa época conturbada como a que se vive hoje em Portugal, prepara-se, com grande despesismo, a comemoração, em 2010, do centenário da República.
Tratarei desse tema em ocasião mais apropriada. Apenas saliento que a actual “terceira República“,de constituição Democrática , é bastante semelhante à Monarquia vigente em 1910. A diferença maior está na Chefia de Estado, de eleição periódica por sufrágio universal, na República, e de permanência vitalícia na Monarquia, salvo no caso dos Portugueses, democraticamente, num caso extremo, promoverem a substituição do Rei .
Eu não duvido que uma Chefia de Estado independente dos poderes políticos e económicos, livre de pressões, respeitadora das instituições e defensora do seu correcto funcionamento, alheia a querelas partidárias e a favoritismos, preocupada com o longo prazo e não com imediatismos influenciados por calendários eleitorais é o complemento fundamental que a Monarquia pode oferecer a um Estado moderno.
Não é por acaso que, as Democracias mais desenvolvidas e estáveis da União Europeia são Monarquias.
Em vários países do Norte da Europa ouvi destacados políticos afirmarem que “vivemos em República, mas o nosso Rei é o melhor defensor da nossa República”. Chegou o tempo de os portugueses pensarem com coragem e em consciência se, o que se entende por República, não seria melhor servida por um Rei?
Estou convicto que saberemos encontrar o nosso caminho, discernindo as nossas prioridades, e encontrando pacificamente, as melhores soluções para o verdadeiro progresso do País.
Apelo a todos, autoridades e políticos, autarcas eleitos, empresários, agricultores, profissionais do sector público ou privado, apelo aos que se vêm no desemprego, aos estudantes e reformados, apelo à Igreja e aos cultos confessionais, aos que emigram e imigram, que ponham as suas capacidades ao serviço de Portugal.
É tempo de solidariedade, é tempo de acção e de esperança num futuro melhor para as gerações dos nossos descendentes.
Servir Portugal, estar próximo dos portugueses, essa foi a Herança que recebi e que aqui uma vez mais assumo, e que, com a minha Mulher, também transmitirei aos nossos filhos!
Viva Portugal!
Nota: Por vezes é importante recordarmos Mensagens antiga do Senhor Dom Duarte para reflectirmos sobre o Presente, nos seus múltiplos aspectos.
Fonte: Movimento 1128
Lisboa acolhe XVIII Congresso da Causa Real
Inscrições para congressistas e observadores
abertas até ao dia 24 de Abril
A Associação Comercial de Lisboa é o palco escolhido para a realização do XVIII Congresso da Causa Real, que decorre já no próximo dia 28 de Abril de 2012 com organização da Real Associação de Lisboa. A assembleia magna dos monárquicos portugueses reunirá todas as Reais Associações nacionais e conta com a presença ao almoço de S.A.R. o Senhor Duque de Bragança.
Os trabalhos terão início por volta das 9h30. Da agenda fazem parte temas como a apreciação do Relatório e Contas para 2011 e a apresentação de listas e eleição dos Órgãos Sociais para o biénio de 2012-2014. Por volta das 15h00, será proferida uma palestra sobre “O Pensamento Monárquico no Século XXI”.
A inscrição de Congressistas e Observadores poderá ser feita até ao dia 24 de Abril de 2012, data até à qual cada Real Associação deverá enviar para a sede da Real Associação de Lisboa, de preferência para o email secretariado@reallisboa.pt , a lista com os nomes dos respectivos participantes no Congresso.
Já a inscrição dos Congressistas por inerência poderá ser efectuada pessoalmente na sede da Real Associação de Lisboa ou também por email (secretariado@reallisboa.pt), bastando indicar o nome do Congressista e o órgão a que pertence na Causa Real. O pagamento da inscrição no Congresso deverá ser efectuado também até ao dia 24 de Abril, através de cheque à ordem da Real Associação de Lisboa, enviado para Praça Luís de Camões, n º 46, 2º Dto – 1200-243 Lisboa, ou por transferência bancária para a conta da Real Associação de Lisboa – Santander Totta com o NIB: 0018-0000-22171 43500 138.
O valor da inscrição de congressistas com mais de 30 anos importa em 55 euros (30 euros para os restantes). Para observadores maiores de 30 anos o valor é de 45 euros (30 euros para os restantes). O almoço está incluído.
Fé não. Pragmatismo monárquico.

Os portugueses têm um estranho vício de olhar para a monarquia como uma utopia, ou se preferirmos uma fé. Não a rejeitam com frontalidade, mas desconfiam sempre de que não é viável. Por isso digo, no nosso país não há verdadeiros republicanos, tirando aqueles que foram presidentes da república, o próprio presidente e alguns políticos que ainda o ambicionam ser. Ser ou não republicano não é sequer um tema sério – principalmente quando analisamos os 100 anos de herança deste regime em Portugal, quem é capaz dos defender?
Podem dizer-me que há vários historiadores que sempre que o tema se levanta correm de imediato às televisões a desenrolar uma série de feitos da república, nomeadamente no ensino, nos direitos das mulheres, na separação da igreja do estado e por aí adiante. Será que estes feitos são realmente da república? Ou será que são feitos de um povo e da força da modernidade? Também não aconteceram noutros países monárquicos? Parece-me que sim.
Mas voltemos ao tema. Ser monárquico hoje em dia não é nada fácil. Somos herdeiros de um passado histórico de vários bravos resistentes anti-república que em muitos casos se aprisionaram (e muitas vezes apregoaram) a um estereótipo do monárquico que ainda hoje permanece na cabeça da maioria dos portugueses. Para a maioria do povo, somos todos aristocratas ou com pretensões a tal, betinhos, católicos radicais, antiquados, estudámos em colégios e temos como grandes hobbys a tourada e o hipismo. A verdade é que ser monárquico já não é nada disso e a única coisa que nos une enquanto monárquicos é apenas uma: achar que a chefia de estado devia estar entregue a um rei. De resto, somos todos diferentes. Muito, acreditem.
Ser monárquico no século XXI mais não é do que uma questão de pragmatismo, puro e duro. Trata-se de fazer um simples exercício de análise política e constatar que a chefia de estado deveria funcionar como uma força moderadora do regime e da sociedade, ou como o próprio presidente da república o chamou: “um provedor do povo”. Fazendo esta análise e recordando a nossa história recente, verificamos facilmente que a chefia de estado republicana por e simplesmente não cumpre essa função. E porquê? É simples, porque nenhum presidente pode ser verdadeiramente independente quando dependeu não só de votos, mas também de apoios, financeiros e políticos, para chegar ao seu cargo – esses apoios, ou se preferirmos favores, mais cedo ou mais tarde são pagos e é aí que a independência do cargo se esvai no jogo político.
O Rei, pelo contrário, ao nascer Rei, tem sobre ele a responsabilidade, a educação e a independência necessária para poder ouvir verdadeiramente o povo do seu país e funcionar como um verdadeiro árbitro do sistema político democrático, sem depender de nada nem de ninguém – apenas do povo, que tem sempre o ónus do poder destituir, como já fez na história de vários países. Isto é pragmatismo político e não uma utopia. Prova disso mesmo é que funciona, principalmente nas mais antigas democracias europeias, muito mais estáveis politicamente do que a maioria das repúblicas.
Há ainda aqueles que em desespero de causa afirmam que Portugal não tem um verdadeiro Rei. Novamente estão enganados. Os monárquicos portugueses há muito que se uniram na figura do legítimo e único pretendente ao trono português, D. Duarte de Bragança. Homem de reconhecida seriedade e de grande apego ao seu país, que como todos os seus pares (o povo português) estudou, serviu no exército, opôs-se ao fascismo e foi para a guerra. Português reconhecido pela sociedade por ter abraçado várias causas, como por exemplo a de Timor e por ser uma pessoa ponderada nas suas opiniões e ainda mais nas suas acções. Um grande português, que conhece Portugal e o mundo lusófono, que está pronto a servir o seu país e que há muito é reconhecido pelo próprio estado republicano como o legítimo pretende ao nosso trono.
Como ficou provado, a monarquia é um tema pragmático e actual, que nada tem de utópico. Utopia é pensarmos que se ficar tudo na mesma o nosso Portugal consegue voltar a ser um grande país.
Autor: João Gomes de Almeida
Fonte: Blogue Forte Apache
Atribuição da Nacionalidade a S.A.R. Dom Duarte de Bragança por Altos e Relevantes Serviços Prestados a Timor-Leste e ao seu Povo

RESOLUÇÃO DO PARLAMENTO NACIONAL N.º 12/2011 de 8 de Junho
Atribuição da Nacionalidade a S.A.R. Dom Duarte de Bragança por Altos e Relevantes Serviços Prestados a Timor-Leste e ao seu Povo
Desde 1975 e nos momentos mais difíceis em que a luta pela independência não era falada, nem comentada pelos meios de comunicação internacionais, S.A.R. Dom Duarte de Bragança,
foi um dos maiores activistas em prol da causa timorense, advogando desde cedo o direito à auto-determinação do Povo timorense.
Foram inúmeras as campanhas em que se envolveu, de onde se destacam a campanha “Timor 87 Vamos Ajudar” e em 1992 a campanha que envolveu o navio “Lusitânia Expresso”.
O “Lusitânia Expresso”, que transportava um grande grupo de personalidades timorenses, tinha como missão atracar o navio em Díli, o que não aconteceu, por ter sido impedido pela marinha de guerra indonésia de entrar nas suas águas territoriais.
No entanto, apesar do “Lusitânia Expresso” nunca ter chegado a Timor-Leste, o objectivo de alertar o mundo para a causa timorense foi alcançado, ganhando o fôlego necessário para manter a esperança aberta de alcançar em breve a independência.
Importa igualmente sublinhar o papel fundamental que S.A.R. Dom Duarte de Bragança teve no apoio às comunidades timorenses que foram acolhidas em Portugal. Desde cedo, partilhou alegrias e angústias com uma população que, em virtude dos diversos problemas que ocorreram no conturbado
período pós-descolonização em Portugal, esteve muitos anos esquecida e entregue a si própria.
Neste sentido, e como forma de simbolizar os altos e relevantes serviços prestados ao Povo timorense e ao País durante a luta pela independência, o Parlamento Nacional tem a elevada honra de, nos termos do artigo 13.º da Lei 9/2002 de 2 de Outubro atribuir a nacionalidade timorense a:
S.A.R. Dom Duarte Pio Nuno João Henrique Pedro Miguel Gabriel Rafael de Bragança
O Parlamento resolve também, recomendar ao Governo que proceda ao registo do processo de naturalização e emita o mais brevemente possível toda a documentação relevante.
Aprovada em 30 de Maio de 2011.
Publique-se.
O Presidente do Parlamento Nacional,
Fernando La Sama de Araújo
Fonte: Página Oficial de Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte de Bragança, no Facebook
África – perspectivas do Duque de Bragança
- Vossa Alteza teve muitas escolas de aprendizagem e talvez a maior de todas tenha sido África. Agora, «Out of Africa», o que nos gostaria de dizer desse Continente, que uma vez visitado, nunca mais se esquece?
- Para os Europeus em geral é muito interessante o tipo de cultura diferente e até o confronto entre ambas. Permite-nos a nós próprios rever a nossa posição perante o mundo e perante a vida. Pondo de parte, talvez, a África Islâmica, mas se considerarmos a África Bantu e a África não Islâmica em geral, aí os valores que têm realmente importância são os que têm a ver com a solidariedade. Enquanto que na Europa e no resto do mundo o que tem importância é a competitividade. Para uma ter prestígio tem que ser melhor, mais rica, mais competitiva. Geralmente isto não acontece entre os Africanos
(…)
- Porque pensa que existe o actual clima de violência em África?
- Em toda a África uma das causas da desestabilização africana foi a destruição das sociedades tradicionais e das Monarquias. Vê-se isto no Ruanda, no Burundi, no Uganda, etc. No Uganda havia quatro Reinos que os ingleses respeitaram. Depois da independência foi implantada a República e esses Reinos foram extintos. A partir daí começaram as desordens, a guerra civil e os ditadores sanguinários como o Idi Amin. Agora parece que recomeçam a reconhecer a importância dos chefes tradicionais… – A Suazilância preservou a sua Monarquia e é em África um país exemplar. Funciona bem. Não há corrupção nem miséria.
(…)
(Fonte: Clara Picão Fernandes, Monarquia hoje? – Diálogos com o Duque de Bragança, Editora Civilização, 1995)
- Mas que forma poderia revestir uma ligação final de Portugal a estes territórios?
- Sou dos que pensam que houve em Portugal, além de outros, um erro fundamental no que respeita ao ultramar: foi o de considerar “o problema ultramarino” como único e indivisível. Ora acho que, pelo contrário, havia tantos problemas quantos os territórios do ultramar! Havia que resolver caso por caso, sem se considerar (como foram a doutrina e a política oficial), que a “negociação” com o “adversário” numa frente de guerra destruiria moral e politicamente os fundamentos da posição portuguesa e até a sua capacidade de lutar noutros territórios. Posso, é evidente, estar enganado. Mas, desde muito novo acreditei que era necessário resolver cada caso por si. E, note, sempre pensei que haveria que encontrar soluções específicas, até dentro das grandes unidades geopolíticas. Ainda hoje pergunto, porque é que Cabinda, que tem uma cultura própria bastante avançada, especifica, e uma consciência nacional das mais apuradas que há em África, porque é que Cabinda e os Cabindas haviam de ser um mero distrito de Angola? E outros exemplos se poderiam encontrar: a ideia de considerar que a Guiné e Cabo Verde constituíam “um todo”, era por tal forma contrária às realidades que não resistiu à pressão das mesmas! Nesse período da minha juventude passado em Angola, no serviço militar, que procurei cumprir da forma mais correcta que me foi possível, não deixei de me preocupar continuadamente com uma perspectiva ampla que não passava manifestamente pela ideia de uma vitória militar a todo o custo.
(….)
Assiste ao povo de Timor, como as Nações Unidas já reconheceram, inquestionável direito à autodeterminação. Tenho-me batido sistematicamente, e na modesta dimensão das minhas possibilidades, para que esse direito possa ser exercido. Pessoalmente estou convencido de que podendo autodeterminar-se, existiria uma possibilidade de os timorenses optarem por manter uma ou outra forma de ligação a Portugal. Como sabe as grandes potências coloniais de outrora, mesmo depois da descolonização, continuaram a administrar (sublinho: por vontade das próprias populações), múltiplos territórios através do mundo. Lembre-se do ministério francês popularmente chamado “dos Dom-Tom”, (abreviatura das expressões “Département d’Outre Mer/Territoires d’Outre Mer”).
- Acha que, se a descolonização o tivesse permitido, poderia haver hoje “Dom-Toms “portugueses?
- Pelo menos nos territórios onde não havia guerra, a autodeterminação poderia ter conduzido a soluções de articulação com Portugal (como aconteceu com tantos outros ainda sob administração francesa, americana, holandesa, etc.). Acho que quanto a este ponto se reflecte, de novo, a circunstância de se ter tratado do problema do ultramar como “um todo”, sem ter havido a subtileza de se entender (antes ou depois da revolução), que cada território merecia uma consideração calma, ponderada e específica. A construção encontrada para os Açores e para a Madeira, que são Regiões Autónomas com órgãos políticos e administrativos próprios dentro da unidade nacional, poderia, porventura, ter sido aceite pelo povo de Cabo Verde? Certamente pelo de Timor? Quem sabe se pelo de São Tomé? Quem sabe se pelo de Cabinda (se tivesse havido a coragem de considerar Cabinda como uma entidade diferente de Angola)? Enfim, sobre a descolonização também se tem falado “milhares de horas” e nem eu tenho opiniões particularmente originais. As que aqui manifesto correspondem apenas a uma síntese. São sinceras e estaria pronto a debatê-las em qualquer instância. Acrescento apenas que a Monarquia poderia ajudar, (…..).
(fonte: http://www.cabinda.net/braganca.html)
África e o Sistema Representativo
(…)
“Penso que os Estados do continente africano só terão a ganhar se adaptarem o Sistema Representativo aos diferentes interesses culturais e religiosos dos seus povos.
Ao contrário do que muitos pensam, a África negra não era, antes da presença dos colonizadores europeus, um continente vazio de organização, um espaço carente de estruturas.
Com efeito, estruturas tradicionais assentes em valores seculares organizavam a vida dos diferentes povos.
Uma sabedoria tradicional presidia à condução dos seus destinos e foi essa sabedoria que permitiu a permeabilidade do Homem Africano aos valores, vindos de fora, com dimensão universal.
Forjaram-se identidades pela conversão ao Cristianismo ou ao Islão e pelo acesso à instrução.
Aproveito para significar, neste campo, o admirável desempenhado pelas Missões portuguesas ao serviço do Padroado.
Missões que foram escola de princípios e de fé mas que foram igualmente espaços de formação e de aculturação de inestimável valor.
Missões que respeitaram as estruturas ancestrais e que, não raro, defenderam as populações locais ora de abusos ora de simples erros das administrações coloniais.
A África e o Africano tinham e têm que ser respeitados na sua autenticidade.
E é neste sentido que me refiro à conveniência para a África e os Africanos de construírem um sistema representativo e democrático em consonância com os seus valores e a sua própria experiência institucional.
Da sua experiência poderão resultar frutos, mesmo para outros continentes, onde, em muitos casos, imperam ficções de representatividade alheias das realidades dos povos.
E não há verdadeira representatividade onde a pluralidade de interesses de um povo não está representada.
Uma das instituições e um dos valores que a África soube preservar até hoje e que constitui uma referência necessária para a estabilidade e o crescimento harmonioso das sociedades economicamente desenvolvidas é a Família — a Família como célula base da Sociedade, escola de valores e de convivência social.
Mas também a Família como quadro que não se circunscreve ao núcleo restrito constituído pelos pais e pelos filhos mas que considera e respeita os avós e os parentes.
Encontremos neste Ano Internacional da Família um momento ainda de reflexão sobre o valor e o papel da Família na formação dos jovens e na preparação dos cidadãos.”
(…)
(fonte: «Unica Semper Avis», D. Duarte de Bragança, Mensagem de 1 de Dezembro de 1994).
Mensagem de Sua Alteza Real o Senhor Duque de Bragança
publicado por João Távora em Real Associação de Lisboa
Comunicado do Secretariado da Casa Real Portuguesa
Pede-se divulgação do seguinte Comunicado:
«Em face de diversas notícias divulgadas em diferentes orgãos de comunicação social , algumas delas atentatórias da dignidade e do bom nome do Senhor Dom Duarte de Bragança, vem o seu Secretariado esclarecer o seguinte:
1- Não existe qualquer sentença de condenação do Senhor Dom Duarte de Bragança ao pagamento de 100.000 €, nem existe qualquer sentença ordenando a penhora de bens da sua propriedade para garantia do pagamento dos referidos 100.000 €.
2- Corre os seus termos no 1º Juízo do Tribunal do Comércio de Lisboa a acção nº 93/07.0TYLSB, na qual, com base no registo de marca nacional nº 366085 e de logotipo nº 5694, é pedido que o Senhor Dom Duarte seja impedido de utilizar símbolos, ou semelhantes, com as insígnias usadas pela associação denominada Ordem de São Miguel da Ala
3- Tal pretensão foi contestada pelo Senhor Dom Duarte e a acção em causa aguarda, desde 2009, que seja proferido despacho saneador. Assim, a referida acção ainda não teve julgamento nem foi proferida qualquer sentença a esse respeito.
4- Por apenso a esta mesma acção foi instaurado um procedimento cautelar no qual foi proferida uma decisão – necessariamente provisória e meramente destinada a garantir o efeito útil de qualquer sentença que vier a ser proferida no processo principal – ordenando aos requeridos que se abstivessem de utilizar sinais idênticos ou confundíveis com aquelas marca e logotipo e estipulando, para a hipótese de atraso no cumprimento da decisão, uma sanção pecuniária compulsória de 200,00 € diários.
5- Posteriormente a esta decisão, datada de 23 de Outubro de 2009, não foi proferida qualquer outra decisão judicial sobre o assunto.
6- Enquanto aguarda serenamente a sentença a ser proferida no processo principal, o Senhor Dom Duarte de Bragança respeitou a decisão proferida no procedimento cautelar, abstendo-se imediatamente da utilização dos sinais distintivos em questão.
7- Carece, assim, de qualquer fundamento o requerimento executivo apresentado, bem como a penhora dos bens divulgada, pelo que foi oportunamente apresentada uma oposição à execução, aguardando-se decisão judicial sobre a mesma.
8- Todas as outras questões relacionadas com a divulgação e o conteúdo das notícias em causa serão, a seu tempo, encaminhadas para sede própria.»
O Secretariado da Casa Real
Hinos do Reino de Portugal e do Império do Brasil
Em Homenagem à Casa Real Portuguesa
Em Homenagem à Casa Imperial Brasileira
Em Memória de Todos os Imperadores e Reis e Príncipes que já partiram
Em nome da Esperança que Ambas as Famílias representam para seus respectivos Países.
Países Irmãos, que nestes últimos dias têm partilhado a dor da perda de uma Grande Princesa, que foi Dona Teresa de Orleães e Bragança. Também em Memória dela, coloco os Hinos Monárquicos de Portugal e do Brasil.
Vivam o Império do Brasil e o Reino de Portugal!!!
Última hora: Morreu S. A. I. R. Dona Teresa de Orleães e Bragança, Tia Materna de S. A. R. o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança
A Real Associação da Beira Litoral manifesta à Família enlutada e, muito em especial, à Família Real Portuguesa as mais sentidas condolências neste momento tão difícil.
NOVO SÍTIO DA “REAL MONARQUIA PORTUGUESA”, FIEL A S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA
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CENÁRIOS DE TRANSIÇÃO NA DEMOCRACIA PORTUGUESA
Cenário 2. Uma 4ª República com um poder reforçado que é o do Presidente Executivo, o que exige dois partidos ou uma aliança presidencial, à norte americana, ou à francesa e nova triagem da luta partidária
Cenário 3. Uma 5ª Dinastia com um árbitro que é o rei, Dom Duarte de Bragança, com uma redistribuição de funções pelos três poderes e consequente selecção de minorias para governação e para representação de interesses.Alocução de S.A.R. o Duque de Bragança Guimarães, 5 de Outubro de 2010

Portugueses:
5 de Outubro de 1143 é uma data fundadora para Portugal. Durante quase 800 anos a vontade e a determinação do povo, firmemente ancoradas na vontade e determinação dos seus Reis, conduziram os destinos desta comunidade de sonhos, a que chamamos pátria.
Mas 5 de Outubro, agora de 1910, é também a data em que a invasão mental estrangeira ocupou Portugal. Hoje, como sempre, falarei para todos, sem acepção ou excepção alguma. Mas hoje, como nunca, serei a voz de todos pela boca de alguns. Nenhuma das palavras que Vos irei ler me pertence, porque todas já eram pertença de todos depois de escritas por alguns de Vós. Irei ler-vos excertos de alguns dos nossos maiores escritores. Evocando Portugal, ou retratando a república. As suas assinaturas declaram os nomes de Camões, Ramalho Ortigão, Fialho de Almeida, Eça de Queiroz, Almada Negreiros, Fernando Pessoa e Pe. António Vieira. Por isso em nome de todos a estes as agradeço.
Portentosas foram antigamente aquelas façanhas, ó Portugueses, com que descobristes novos mares e novas terras, e destes a conhecer o Mundo ao mesmo Mundo. Naqueles ditosos tempos (mas menos ditosos que os futuros) nenhuma cousa se lia no Mundo senão as navegações e conquistas de Portugueses. Esta história era o silêncio de todas as histórias. Os inimigos liam nela suas ruínas, os émulos suas invejas e só Portugal suas glórias. Mas se a história das cousas passadas (a que os sábios chamaram mestra da vida) tem esta e tantas outras utilidades necessárias ao governo e bem comum do género humano e ao particular de todos os homens, e se como tal empregaram nela sua indústria tantos sujeitos em ciência, engenho e juízo eminentes, como foram os que em todos os tempos
imortalizaram a memória deles com seus escritos; porque não será igualmente útil e proveitosa, e ainda com vantagem, esta nossa História do Futuro, quanto é mais poderosa e eficaz para mover os ânimos dos homens a esperança das cousas próprias, que a memória das alheias? (Padre António Vieira)
O Partido Republicano em Portugal nunca apresentou um programa, nem verdadeiramente tem um programa. Mais ainda, nem o pode ter: porque todas as reformas que, como partido republicano, lhe cumpriria reclamar, já foram realizadas pelo liberalismo monárquico. (Eça de Queiroz)
A república francesa que implantaram em Portugal, sem nenhuns pontos de contacto com quanto em nós seja português. Nenhuma reacção do espírito progressivo a instaurou; foi um fenómeno da nossa decadência, da nossa desnacionalização. (Fernando Pessoa)
No dia 5 de Outubro, em Portugal, não havia despotismo, não havia opressão e não havia fome. Os princípios proclamados à custa de tanto sangue pela Revolução Francesa, há mais de um século, ninguém precisava de os tornar a proclamar na Avenida agora, precisamente no período histórico em que quase todos esses princípios se acham refutados pela crítica experimental e científica do nosso tempo. Os famosos princípios da Revolução Francesa, leit-motiv de toda a cantata revolucionária de [5 de] Outubro último, são, precisamente, os que vigoram em toda a política portuguesa, desde o advento da revolução liberal de 1834 até nossos dias. (Ramalho Ortigão)
Os novos revolucionários de 1910, com excepção honrosa dos que não sabem ler, não tiveram por decuriões senão os seus predecessores revolucionários liberais de 34. E daí para
trás — o que quer dizer daí para cima — nunca abriram um livro. Tal a razão porque os raros homens de letras, que a nossa República conseguiu mobilizar, dia a dia se desagregam da hoste refugiando-se no anacoretismo filosófico, enojados da crassa ignorância dos sarrafaçais a que o regime os emparelhou. (Ramalho Ortigão)
É alguém capaz de indicar um benefício, por leve que seja, que nos tenha advindo da proclamação da República? Não melhorámos em administração financeira, não melhorámos em administração geral, não temos mais paz, não temos sequer mais liberdade. Na monarquia era possível insultar por escrito impresso o Rei; na república não era possível, porque era perigoso, insultar até verbalmente o Sr. Afonso Costa. (Fernando Pessoa)
Bandidos da pior espécie (muitas vezes, pessoalmente, bons rapazes e bons amigos – porque estas contradições, que aliás o não são, existem na vida), gatunos com seu quanto de ideal verdadeiro, anarquistas-natos com grandes patriotismos íntimos – de tudo isto vimos na açorda falsa que se seguiu à implantação do regímen a que, por contraste com a monarquia que o precedera, se decidiu chamar República. (Fernando Pessoa)
Este regímen é uma conspurcação espiritual. Os republicanos passaram a legislar em ditadura, fazendo em ditadura as suas leis mais importantes, e nunca as submetendo a cortes constituintes, ou a qualquer espécie de cortes. (Fernando Pessoa)
Desde a proclamação da República que em Lisboa se não faz outra coisa se não pedir. (Fialho de Almeida)
É certo que nunca as classes dirigentes se divertiram tanto em excursões de recreio, nem se banquetearam tão
repetidamente, como hoje em dia. Na casa, porém, de cada cidadão, nem o imposto diminuiu nem o passadio embarateceu. Enquanto à prometida barateza a que seriam reduzidos os víveres, ao proporcional aumento a que seriam elevados os salários, ao desenvolvimento que teria o ensino e à perfeição que atingiria a disciplina da sociedade, uma vez sacudido da cerviz do povo o inconfortável jugo ominoso do regime extinto, observa-se que nunca se comeu mais caro, nunca foi mais numerosa a legião dos operários sem trabalho, nunca […] tantas propriedades foram impunemente assaltadas e destruídas como agora as redacções e as tipografias de cinco jornais. A República Portuguesa continua dando ao mundo o mais espantoso e inacreditável espectáculo: – existe! (Ramalho Ortigão)
O predomínio incondicional exercido pelas sociedades secretas em quase todos os actos do governo, como por exemplo na escolha das cores da bandeira, deposição de funcionários antigos e com direitos adquiridos, e imposição doutros sem mais competência do que as suas cumplicidades carbonárias; Corre que outras medidas de violência serão tomadas no sentido de desarmarem pelo terror as inumeráveis massas de cidadãos que não aderiram à República. (Fialho de Almeida)
Um país não pode ficar assim toda a vida, num pátio de comédia. Quebrámos estouvadamente o fio da nossa missão histórica.Desmoralizámo-nos,enxovalhámo-nos, desaportuguesámo-nos. (Ramalho Ortigão)
Quem considerar o Reino de Portugal no tempo passado, no presente e no futuro, no passado o verá vencido, no presente ressuscitado e no futuro glorioso; e em todas estas três diferenças de tempos e estilos lhe revelou e mandou primeiro interpretar os favores e as mercês tão
notáveis com que o determinava enobrecer: na primeira, fazendo-o, na segunda restituindo-o, na terceira, sublimando-o. Mas se a história das cousas passadas (a que os sábios chamaram mestra da vida) tem esta e tantas outras utilidades necessárias ao governo e bem comum do género humano e ao particular de todos os homens, e se como tal empregaram nela sua indústria tantos sujeitos em ciência, engenho e juízo eminentes, como foram os que em todos os tempos imortalizaram a memória deles com seus escritos; porque não será igualmente útil e proveitosa, e ainda com vantagem, esta nossa História do Futuro, quanto é mais poderosa e eficaz para mover os ânimos dos homens a esperança das cousas próprias, que a memória das alheias? Têm na memória que também antigamente pagavam, e que então era tributo do cativeiro o que hoje é preço da liberdade; sobretudo vêem a seu rei da sua Nação e da sua Língua, e que o têm consigo e junto a si para o requerimento da justiça, para o prémio do serviço, para o remédio da opressão, para o alívio da queixa; rei que os vê e se deixa ver; que os ouve e lhes responde; que os entende e o entendem; que os conhece e lhes sabe o nome. (Padre António Vieira)
Dispensem todas as teorias passadistas! Criem o espírito de aventura e matem todos os sentimentos passivos! Mostrem que a geração portuguesa do século XXI dispõe de toda a força criadora e construtiva!
Viva Portugal!
Fonte: Site da Casa Real Portuguesa
Ministro admite que Brasil poderá ajudar Portugal na compra de títulos por Agência Lusa
O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, confirmou hoje, em Brasília, que o governo brasileiro poderá ajudar Portugal por meio da compra de títulos da dívida pública portuguesa. Ainda hoje o i publicou uma entrevista a Dom Duarte Pio de Bragança em que este revelava que o Brasil quer apoiar Portugal na crise da dívida com melhores condições que o FMI.
“Nas emissões da dívida pública portuguesa podemos ter entidades brasileiras que possam estar presentes nestas operações e adquirirem a dívida portuguesa”, afirmou Teixeira dos Santos, após uma reunião de quase duas horas com seu homólogo brasileiro, Guido Mantega.
O ministro das Finanças disse ainda que entidades empresariais também poderão comprar títulos da dívida portuguesa.
“[Podem ser] entidades governamentais, empresariais, investidores, qualquer que seja a sua natureza, que estejam interessados em investir na dívida portuguesa”, assinalou.
Segundo Teixeira dos Santos, Portugal está a fazer um esforço de diversificação dos mercados, fora da Europa, que possam se interessar pela emissão de títulos da sua dívida pública.
“O Brasil, sendo uma economia que, para nós, é estratégica, é naturalmente um mercado que nós devemos explorar”, justificou.
O ministro afirmou também que não chegou a discutir com Mantega valores para uma eventual operação desta natureza.
O Ministério brasileiro da Fazenda escusou-se a fazer qualquer comentário sobre a reunião.
Na última sexta-feira, o presidente brasileiro, Lula da Silva, afirmou à imprensa estrangeira, no Rio de Janeiro, que “o Brasil irá fazer o esforço que estiver ao seu alcance para ajudar Portugal a sair mais rápido da crise”.
No sábado, à margem da XX Cimeira Ibero-Americana, em Mar Del Plata, na Argentina, o assunto também foi tratado numa reunião de Lula da Silva com o Presidente da República, Cavaco Silva, e com o primeiro-ministro, José Sócrates.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Fonte: Jornal i
Nota: Ora aqui temos um bom exemplo de como o Rei se antecipou ao Governo…
Dom Duarte – Brasil quer apoiar Portugal na crise da dívida com melhores condições que o FMI

Dom Duarte serviu o chá, num bule japonês, oferta de um mestre do chá. O sabor adocicado das ervas não merece açúcar, assegurou. Depois recostou-se na cadeira. A sala da fundação Dom Manuel é escura, como imaginamos os castelos, e o dia negro não ajuda. Nas paredes, pinturas a óleo e resquícios de outro regime. Tinha estado ao telefone para Timor, na semana passada pediu a nacionalidade timorense. A brasileira pode ser a seguinte, “quem sabe”, diz. Para já, o país que será de Dilma deverá dar uma ajuda às contas nacionais.
Defendeu que Portugal deve pedir ajuda ao Brasil, para evitar a entrada do FMI no país.
Na véspera do dia 1 de Dezembro (Dia da Restauração da Independência), um ministro do futuro governo de Dilma Rousseff – que também é ministro do actual governo de Lula da Silva – telefonou-me e manifestou o interesse do futuro governo brasileiro para apoiar Portugal na questão da dívida externa em melhores condições que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e, eventualmente, em melhores condições até que a União Europeia. E gostariam de abrir essa negociação com Portugal logo que Dilma assumisse o governo brasileiro. Aliás, julgo que já houve contactos entre o governo português e o de Lula da Silva durante a Cimeira Ibero-Americana que decorreu na Argentina.
Qual foi o ministro de Lula da Silva que o contactou.
Preferia não revelar o nome.
Mas revelou essa conversa ao governo português?
Sim, claro. E agradeceram. Transmiti, aliás, ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, porque me pareceu que é a pessoa mais indicada e é a pessoa do governo com quem tenho melhores relações.
É apontado como remodelável…
Espero que não, porque é um dos ministros mais competentes e com maior aceitação internacional.
O contacto do ministro brasileiro fez com que no discurso de dia 1 de Dezembro falasse de uma confederação dos países lusófonos?
O telefonema surge na sequência da conversa que tive em Brasília com algumas pessoas do governo e em que manifestei que há em Portugal interesse numa futura confederação de Estados lusófonos. Isto quereria dizer que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) iria evoluir para uma confederação de Estados lusófonos. A confederação não é só uma aliança de Estados, é o começo, de facto, de um Estado. A Commonwealth, que a Inglaterra preside, não é uma confederação, é menos que uma confederação. E a Commonwealth nunca impediu a Inglaterra de pertencer à União Europeia, pelo contrário.
Disse ainda que Portugal é um país humilhado. De quem é a culpa?
A culpa é de todos nós, porque temos um país que, desde que aderiu ao euro, começou a gastar como os alemães e a produzir como europeus do Sul da Europa. Claro que se saíssemos do euro haveria inconvenientes graves, mas por outro lado podíamos passar a ter competitividade económica maior, produzir melhor e mais, exportar mais e o nosso turismo ficava mais competitivo. A desvantagem é que a dívida externa seria mais difícil de pagar. Se entrarmos para uma confederação lusófona, as economias portuguesa, angolana e brasileira poderiam ser mais bem coordenadas e haveria sinergias que seriam certamente benéficas para Portugal.
Pedir dinheiro ao Brasil é menos humilhante do que pedir à Alemanha?
Se resolvermos o problema com o Brasil estamos em família, a família lusófona. Por outro lado, só se faria se as condições fossem melhores. O que é humilhante, no caso do FMI, é que o FMI impõe condições e obrigações, e teremos de nos governar de acordo com as regras do FMI.
É público que pediu a nacionalidade timorense.
O país com o qual tenho as relações mais íntimas e para cuja liberdade dei uma grande contribuição foi Timor. Espero que depois das minhas conversas com o Dr. Ramos-Horta e com Xanana Gusmão seja uma possibilidade. É um gesto de simpatia e de amizade para com Timor. O problema neste momento ainda é um problema legal, como não sou residente lá. Aliás, julgo que poderia pedir a nacionalidade brasileira, visto que a minha mãe é brasileira. Quem sabe…
Fica bem a um rei ter várias nacionalidades…
A rainha de Inglaterra tem dúzias de nacionalidades. Tem a nacionalidade de todos os países da Commonwealth.
A primeira visita ao país deu-se um pouco antes do 25 de Abril.
Fui visitar Timor em 1974, onde tinha na altura o meu camarada do Instituto de Agronomia – o engenheiro Mário Carrascalão. Comecei a ter problemas com a DGS, antiga PIDE, e os timorenses foram intimidados para não virem falar comigo. Quando isso aconteceu, o bispo de Timor da altura convidou-me para ficar hospedado na sua residência. As pessoas faziam de conta que iam visitar o bispo para me visitarem a mim. que estava lá hospedado.
O 25 de Abril deu-se por essa altura?
Dali fui para o Vietname e estava em Saigão quando o presidente do parlamento vietnamita me ligou a contar o que tinha acontecido.
Como reagiu à notícia?
Fiquei muito feliz por achar que o general Spínola iria resolver os problemas nacionais do ultramar e da diplomacia em Portugal. E por isso, mandei um telegrama de apoio à Junta de Salvação Nacional manifestando o meu apoio.
Mas foi Salazar que permitiu que a família do Dom Duarte voltasse a Portugal.
Houve votações no parlamento contra o exílio, que foi considerado ilegítimo. O meu pai queria vir logo para Portugal, mas o governo na altura disse que ainda não era conveniente. De maneira que eu voltei mais cedo e fiquei a estudar em casa da minha tia Filipa em Serpins, ali na Lousã, até que a família voltou toda nos anos 50. Mas as propriedades não foram devolvidas à família, por isso ficámos a viver numa casa emprestada, em Coimbrões (Gaia).
Mas – utilizando uma expressão que está na moda – a família do Dom Duarte estava “integrada” no antigo regime?
O meu pai nunca chegou a conhecer o presidente do governo. Quem tinha mais relações com Salazar era a minha tia Filipa. Eu visitei Salazar três vezes. Achei-o um homem absolutamente notável, muito interessante, simpático. Entretanto, à medida que fui amadurecendo, fui percebendo que a política do regime não tinha solução e encorajei a formação do movimento eleitoral monárquico, que foi o embrião do que mais tarde foi o Partido Popular Monárquico.
As pessoas têm curiosidade de saber do que é que vive.
Tenho um nível de vida discreto. A minha mãe herdou no Brasil parte da nossa sociedade familiar. No Brasil, o governo republicano não roubou a família. Somos proprietários, entre outras coisas, de todo o terreno onde está construída a cidade de Petrópolis e cada pessoa que tenha casa em Petrópolis, quando a vende, tem de pagar um imposto à sociedade familiar. Por outro lado, em Portugal temos uns prédios com rendas muito antigas.
A sua inquilina mais velha, a Dona Maria Luísa, ainda é viva?
Sim, tem 114 anos. É a minha inquilina mais engraçada. Neste momento, ela devolveu o apartamento. Pago-lhe parte das despesas do lar onde está.
Já tem cartão do cidadão?
Tenho o Bilhete de Identidade, enquanto não for obrigado não mudo.
E no BI, está escrito o nome completo: Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael?
Não, só tenho Dom Duarte Pio de Bragança. No registo de baptismo ficou o nome completo, mas só para a dimensão espiritual.
A rainha Dona Amélia foi sua madrinha e o Papa Pio XII o seu padrinho…
A rainha Dona Amélia era muito amiga da família. O rei Dom Manuel reconheceu o meu pai como seu sucessor político e foi padrinho de uma tia minha, a minha tia Maria Adelaide que está também a fazer 100 anos. Foi resistente do nazismo e presa pelos alemães na Áustria porque participava na resistência austríaca contra o domínio alemão, ajudando os refugiados a fugirem para a Suíça. É a última neta viva do rei Dom Miguel. Neta mesmo, não é bisneta. Os outros todos já morreram.
Tem o brevê de piloto. Ainda pilota?
Pilotei um helicóptero em Beja há pouco tempo. Quando o meu antigo instrutor era vivo, voei com ele várias vezes, nomeadamente quando estava em serviço de incêndios.
E a agricultura?
O meu irmão em S. Miguel é que se ocupa da quinta. Produz lá vinho e frutas, mas com grandes problemas económicos. Os agricultores estrangeiros recebem mais subsídios que os portugueses. Nós não recebemos subsídios praticamente nenhuns. Eu sou horticultor. Em Sintra, vou dando uma mão nas nossas hortas. Do que gosto mais são as nossas framboesas, são das melhores que há. Temos legumes frescos, galinhas e patos. As galinhas e os patos são óptimos para reciclar os restos de comida. Salazar criava galinhas em São Bento. O nosso primeiro-ministro podia começar também a fazer o mesmo.
Acha que vamos ter eleições legislativas no próximo ano?
Não faço ideia. Gostaria de ver um governo de unidade nacional. Creio que o candidato Fernando Nobre também propôs isso. As decisões duras que vão ter de ser tomadas seriam mais fáceis se houvesse um consenso e uma responsabilização colectiva pelo menos dos principais partidos. Caso contrário, qualquer partido que esteja no poder vai ter medo de comprometer a sua carreira política, tomando decisões duras. Há decisões práticas que vão ter de ser tomadas, diminuição do número de feriados ou pelo menos juntá-los ao fim-de-semana, por exemplo.
Está preparado para a austeridade?
Vamos ter de aprender a viver bem, com felicidade, com menos. E para isto é muito importante espírito de caridade. Faz-se caridade por amor às pessoas, com pessoas com quem não temos ligação nenhuma. Temos de nos organizar para não haver pessoas a passar fome, para não haver pessoas na rua e na miséria. O Estado não consegue resolver os problemas, gasta muito dinheiro com pessoas que não precisam ou que não querem trabalhar e temos muitas pessoas que não são ajudadas.
Fonte: Jornal i













